Ele...S2 escrito em sexta 01 janeiro 2010 03:18
"Carta a D. - Hístória de um amor", de André Gorz escrito em quinta 18 junho 2009 16:47
Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis
centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e
continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos
que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo,
carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o
calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.
Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de
abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por
que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é
o que existe de mais importante na minha vida? Por que, em Le
Traître, passei uma falsa imagem de você, que a desfigura? Esse
livro deveria mostrar que a minha relação com você foi a
reviravolta decisiva que me permitiu desejar viver.
Por que, então, deixar de fora essa maravilhosa história de amor
que nós tínhamos começado a viver sete anos antes? Por que eu não
disse o que me fascinou em você? Por que eu a apresentei como uma
coitadinha, "que não conhecia ninguém, não falava uma palavra de
francês e que sem mim teria se destruído", se você tinha o seu
círculo de amigos, fazia parte de um grupo de teatro de Lausanne e
era esperada na Inglaterra por um homem determinado a se casar com
você?
Na verdade, não explorei em profundidade aquilo a que me propunha
ao escrever Le Traître. Para mim, ainda restam muitas questões a
serem compreendidas e esclarecidas. Preciso reconstituir a história
do nosso amor para apreender todo o seu significado. Ela foi o que
permitiu que nos tornássemos o que somos; um pelo outro, um para o
outro. Eu lhe escrevo para entender o que vivi, o que vivemos
juntos.
Nossa história começou maravilhosamente, quase um amor à primeira
vista. No dia em que nos encontramos, você estava acompanhada de
três homens que pretendiam jogar pôquer com você. Você tinha
cabelos auburn abundantes, a pele nacarada e a voz aguda das
inglesas.
Tinha acabado de chegar da Inglaterra, e cada um dos três homens
tentava, num inglês sofrível, captar a sua atenção. Você se
mantinha soberana, intraduzivelmente witty, bela feito um sonho.
Quando nossos olhares se cruzaram, eu pensei: "Não tenho chance
nenhuma com ela". E logo soube que o nosso anfitrião já a havia
prevenido: "He is an Austrian Jew. Totally devoid of
interest".
Um mês depois cruzei com você na rua, fascinado por seus passos de
dançarina. Depois, numa noite, por acaso, eu a vi de longe, saindo
do trabalho e descendo a rua. Corri para alcançá-la. Você andava
rápido. Tinha nevado. O chuvisco fazia cachos nos seus cabelos. Sem
pôr muita fé, eu a convidei para dançar. Você simplesmente disse
sim, why not. Era 23 de outubro de 1947.
Meu inglês era desajeitado, mas passável. Tinha se enriquecido
graças a dois romances americanos que eu acabara de traduzir para a
editora Marguerat. Durante essa nossa primeira saída, percebi que
você havia lido um ito, antes e depois da guerra: Virginia Woolf,
George Eliot, Tolstói, Platão...
Falamos de política britânica, das diferentes correntes dentro do
Partido Trabalhista. De imediato, você já sabia distinguir entre o
que é acessório e o que é essencial. Diante de um problema
complexo, a decisão a tomar sempre lhe parecia óbvia. Você tinha
uma confiança inabalável na justeza dos seus julgamentos.
De onde você tirava essa segurança? E, no entanto, você também teve
pais separados; deixou-os cedo, um depois do outro; nos últimos
anos da guerra, morou sozinha com Tabby, o seu gato, e dividia com
ele a sua comida racionada. E, por fim, saiu do seu país para
explorar outros mundos. Em que poderia lhe interessar um Austrian
Jew sem um tostão?
Eu não entendia. Não sabia que ligações invisíveis se teciam entre
nós. Você não gostava de falar do seu passado. Pouco a pouco,
compreenderei que experiência fundadora nos tornou subitamente
próximos um do outro.
Nos encontramos de novo. Fomos dançar mais uma vez. Vimos juntos Le
Diable au corps, com Gérard Philipe. Há no filme uma seqüência em
que a heroína pede ao sommelier para trocar uma garrafa de vinho já
aberta e bem consumida porque, segundo ela, dava para sentir o
gosto da rolha. Tentamos reeditar essa manobra numa boate, e o
sommelier, depois de verificar, contestou o diagnóstico. Diante de
nossa insistência, ele nos mandou às favas, com muita determinação:
"Nunca mais ponham os pés aqui!". Fiquei espantado com o seu
sangue-frio e a sua sem-cerimônia. Pensei comigo mesmo: "Fomos
feitos para nos entendermos". Depois da terceira ou quarta saída,
eu afinal beijei você.
Não tínhamos pressa. Eu despi o seu corpo com cautela. Descobri,
miraculosa coincidência do real com o imaginário, a Vênus de Milo
tornada carne. O brilho nacarado do pescoço iluminava o seu rosto.
Mudo, contemplei longamente esse milagre de vigor e de
doçura.
Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se
dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si.
Nós nos doamos inteiramente um ao outro.
Durante as semanas que se seguiram, nos reencontramos quase todas
as noites. Você dividiu comigo o velho sofazinho afundado que me
servia de cama. Ele tinha apenas sessenta centímetros de largura, e
nós dormíamos apertados, um contra o outro. Além do sofazinho, meu
quarto só tinha uma estante de livros feita de tábuas e tijolos,
uma mesa enorme, atulhada de papéis, uma cadeira e um fogareiro.
Você não se espantava com o meu cenobitismo. Também não me
espantava que você o aceitasse.
Antes de conhecê-la, eu nunca tinha passado mais de duas horas com
uma moça sem ficar entediado e sem deixá-la saber que eu me sentia
assim. O que me cativava é que você me dava acesso a outro mundo.
Os valores que dominaram a minha infância não existiam nele.
Esse mundo me encantava. Eu podia escapar ao entrar nele, sem
obrigações nem pertencimento. Com você, eu estava em outro lugar;
um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo. Você me dava acesso
a uma dimensão de alteridade suplementar - a mim, que sempre
rejeitei toda identidade e juntei uma identidade na outra, sem que
nenhuma fosse realmente a minha. Falando com você em inglês, eu
fazia minha a sua língua. Até hoje continuo a me dirigir a você em
inglês, mesmo quando você responde em francês. O inglês, que eu
conhecia principalmente por você e pelos livros, desde o início foi
para mim uma língua particular que preservava a nossa intimidade
contra a irrupção das normas sociais circundantes. Eu tinha a
impressão de construir com você um mundo protegido e
protetor.
A coisa não teria sido possível se você tivesse um sentimento forte
de pertencimento nacional, de enraizamento na cultura britânica.
Mas não. Você mantinha, em relação a tudo o que é british, uma
distância crítica que não excluía a cumplicidade com o que lhe é
familiar. Eu dizia que você era uma export only, ou seja, um desses
produtos reservados só para exportação, não encontráveis nem na
própria Grã-Bretanha.
Nós nos interessamos passionalmente pelo resultado das eleições na
Grã-Bretanha, mas só porque o que estava em jogo era o futuro do
socialismo, não o do Reino Unido. A pior injúria que alguém poderia
lhe fazer era explicar pelo patriotismo o partido que você
tomava.
Disso eu ainda teria bem mais tarde uma prova, durante a invasão
das Malvinas pelas forças argentinas. A um ilustre visitante, que
pretendia explicar pelo patriotismo o partido que você havia
tomado, você respondeu com rudeza que só os imbecis não conseguiam
ver que a Argentina levava aquela guerra adiante para lustrar o
brasão de uma execrável ditadura militar e fascista, da qual, por
fim, a vitória britânica precipitaria o desmoronamento.
Mas estou antecipando as coisas. Durante aquelas primeiras semanas,
encantava-me a liberdade que você manifestava em relação à sua
cultura de origem, mas também a substância dessa cultura, tal como
ela lhe foi transmitida quando pequena. Uma certa maneira de zombar
das provações mais sérias; um pudor travestido de humor, e mais
particularmente as suas nursery rimes ferozmente non-sensical e
sabiamente ritmadas. Por exemplo: "Three blind mice/ See how they
run/ They all run after the farmer's wife/ Who cut off their tails
with a carving knife/ Did you ever see such fun in your life/ as
three blind mice?".
Eu queria que você me contasse a sua infância em sua realidade
trivial. Eu soube que você cresceu na casa do seu padrinho, uma
casa na praia, com jardim; com o Jock, o seu cachorro, que
enterrava ossos nos canteiros e depois não mais conseguia
encontrá-los; soube que seu padrinho tinha um receptor de rádio
cujas pilhas precisavam ser recarregadas toda semana. Soube que
você costumava quebrar o eixo do seu triciclo descen- do o meio-fio
sem se levantar; que na escola você resolveu escrever com a mão
esquerda, e se sentou sobre as duas mãos, desafiando a professora
que insistia em forçá-la a escrever com a direita. Seu padrinho,
que tinha autoridade, falou que a professora era uma imbecil e
passou-lhe uma descompostura. Compreendi então que o espírito da
seriedade e o respeito à autoridade seriam sempre estranhos a
você.
Mas nada disso dá conta da ligação invisível pela qual nós nos
sentimos unidos desde o início. Por mais que tivéssemos sido
profundamente diferentes, mas eu não deixava de sentir que alguma
coisa fundamental era comum a nós, um tipo de ferida original - há
pouco eu falava de "experiência fundadora": a experiência da
insegurança.
A natureza desta não era a mesma para você e para mim. Não importa:
para ambos, ela significava que não tínhamos um lugar assegurado no
mundo, e só teríamos aquele que fizéssemos para nós. Nós tínhamos
de assumir a nossa autonomia, e eu descobriria em seguida que você
estava muito mais preparada para isso do que
eu.
Eu queria em 2009 escrito em quinta 01 janeiro 2009 19:40
1.
ouvir as músicas de Avril
bem altas, sem sentir vergonha.
2. mandar
uma amiga que me enche o saco direto P/ PUTA QUE A PARIU!!!
3.ser mais
religiosa
4. colocar
meus planos profissionais em ação ( pq ja foram pensados
demais)
5.aprender a
tocar violão
6.ir ao
encontro da nova consciência em Campina
7.terminar
meus livros ( IRENE CASTRO/ O SEGREDO DAS ROSAS/ SOB A LUZ/
PASSÁROS NEGROS
8.visitar a
escola normal
9. da uma
palestra sobre Literatura em Santa Cruz
10.levar uma
banda de rock p/ Santa Cruz
11.tomar
banho de açude, de chuva, de bica
12. assistír
forest gump novamente, assistir E.T, Felicity, Dawson Creek e é
claro One tree hill
13.ouvir a música da abertura de Artur novamente, ouvir a música de
Samuca e Fran novamente, ver o ultimo beijo de Vivi e mosca
novamente
14conhecer a
capital
15ver que
colocaram cabelos cacheados no Buddypoke
16.me reunir
com a galera inteira de Sousa, a turma antiga (ju, Ti, Di, Gi, Wo,
FR, Te, Er,Ce, Ad, Ro, Ra, An,)
17. pintar
alguns quadros e ser reconhecida por isso
18.conversar
até tarde com Kelianny sobre nossos pensamentos, nossos idéais
antigos, literatura, versão da história da Paraíba
19. ser um
poquinho melhor na Uni, p/ não me sentir mais lixo
20. ver
novamente a Irene.
21.ler
novamente Em algum lugar do passado/ As aventuras de Tom Sawer/
Blondina/ O diário de Anne Frank
21. ficar
com meus sobrinhos o máximo possível, respeitar meus pais e minha
nova família.
22. ser feliz pelo menos esse ano....

Carta ao amigo Junior escrito em sábado 05 julho 2008 18:03
No momento em que os cabelos foram cortados, a praça foi substituída por um barzinho, a escola por uma faculdade, os melhores amigos por companheiros de trabalho, eu entendi que apesar das mudanças constantes, nossa essência ainda está por lá. Está num lugar repleto de conversas paralelas com fundo musical do Sisten of Down. Porque o segredo da amizade está em notar a presença ou a ausência do outro. E não tem um minuto sequer que eu não lembre de uma certa noite, em que nossa turma reunida caminhava pelas ruas escuras e frias daquela cidade, aparentemente monótona .
Lembrando disso, lembrei-me também de você e decidi te escrever. Quando me disseram que terias ido embora, se afastado, eu não pude acreditar. Algumas pessoas tornam-se especiais por falarem coisas interessantes, por serem engraçadas, mas você na turma era o sorriso, um incrível sorriso que salvava as piadas mal contadas, divertia-nos num momento difícil. Agora tudo parece vazio. Noite passada eu estava lembrando de alguns acontecimentos loucos, mas que marcaram a adolescência da nossa turma e sei que marcou a sua também : lembra da vez que eu e Gina ficamos presas no Banco, ou então daquele dia que o policial apontou a arma para Tiago, certo de que ele era um bandido. Não me esqueço das bagunças, das festas, das tentativas mal sucedidas da madrinha de César querendo levá-lo para a igreja, ou de Teo bêbado filosofando ou gritando “ a revolução”,. Agora as lagrimas começaram a cair. Mas vou continuar porque tenho que te fazer lembrar da gente. Então, lembra de sentarmos todos na praça do Bom Jesus, de conhecer casas “ mal assombradas”, que na verdade quem assombrava era a turma mesmo, de ir lá para o apartamento de Diana assistir filme, fazer feijoada ou então miojo, ir lá para varanda e reparar um pouquinho mais a cidade.Ouvir o bom e nunca velho Rock and Roll, agüentar ouvir a banda favorita de Woslley só porque o som era dele. Ir a festas e sermos colocados literalmente pra fora, combinar de ficar todo mundo junto até depois das cinco da manhã, sorrir com o guarda da praça ou com os muitos andarilhos que passaram por lá, de esperar chegar Setembro pra gente ir brincar no parque, jogar War, Banco Imobiliário. Saiba que eu tenho muita saudade daquele tempo e, que de vez em quando revejo nossos amigos e percebo que falta alguém.
Tiveram algumas novidades que acho que você precisava saber, César e Erickinho cortaram o cabelo, e pra falar em César, ele agora é pai. Rodrigo e Ana Paula casaram-se, eu e Fran terminamos ( incrível, né?), eu passei no vestibular, Gina também, parte dos meninos estão trabalhando, os outros se matando de estudar em casa e, o mais surpreendente Tiago depois de anos tentando conquistar Emy agora namora ela e, eles fazem um casal perfeito.
Vou parar de enrolar e finalizar essa carta te escrevendo uma coisa. Entendo que tiveram as palavras ruins, que machucaram, entendo também que nem sempre fomos todos amigos, que muita coisa veio a separar-nos. Mas não há sequer um dia em nossas vidas, que a falta de alguém querido não nos atrapalhe completamente. Sua falta me atrapalhou porque eu não sei mais sorrir sendo verdadeira, estou a esquecer a criança que eu era e, só você me fazia ainda olhá-la. Se por um instante essa carta tenha te feito sentir saudades, estaremos te esperando no próximo aniversário da turma, que só estará completo com a tua luz.
Meus pés escrito em quarta 25 junho 2008 12:26
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( Kamila Katrine ) Não estavas a me olhar, foi apenas um dos meus pensamentos sem sentido.
Desde que você partiu a aliança entre a dor e o êxtase. Desde que colocou em pratos limpos, que nada mais existia.
Desde aquele dia, eu ando com a cabeça baixa, sempre a olhar meus pés.
Mas até aí eu já tinha sofrido, dessa vez foi diferente,não sofri. É que esse negócio de sofrimento é muito cansativo.
Encontrei motivos para sorrir, até cheguei a acreditar em Deus, mas eu só não entendi...
Aquele presente que me enviastes, ainda não pude abri-lo. Tenho medo que seja as fotos daqueles dias gelados.
Tenho medo que seja Todas as cartas que escrevi. Tenho medo de passar assim todo o tempo.
Indo a caminho de casa, o pensamento toma meus passos, os problemas são unificados na dor de ter perdido seu amor.
Ouço uma voz tremula passar ao meu lado na ilusão,abro um sorriso para um desconhecido.
Quando percebo,estou novamente andando com a cabeça baixa, olhando para os meus pés. |













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